Bolsonaro: ser honesto ou eficaz?

É admirável que (aparentemente) tenhamos (finalmente?) um Presidente da República (em tese) 100% comprometido com a ética, a moralidade pública e intolerância com a corrupção.

Dito isto, nem tanto ao mar nem tanto à terra: se não queremos um governo que só sabe jogar na base da propina, por outro lado, tudo o que o país menos precisa é de uma liderança presa na sua bolha moralista sem se preocupar com as consequências de sua paralisia.

O povo brasileiro não participou de um conclave em 2018 para eleger um Papa nem escolheu um candidato a prêmio nobel que fizesse sombra a Madre Teresa de Calcutá.

A população precisava, aliás, implorava, primordialmente, por uma liderança apta ao exercício do cargo, alguem com condições de articular politicamente, com traquejo suficiente para construir consensos no Congresso e arregimentar apoio na sociedade visando superar os graves desafios da economia.

Enfim, sonhava com uma nova liderança que pudesse dizer “Eu vou atingir os objetivos APESAR DAS DIFICULDADES”, não um lider fraco, acuado e ineficaz que se escora em desculpas do tipo “Eu SÓ NÃO ATINGI meus objetivos por causa das dificuldades.”

Quem tá na fila do desemprego, quem está ha anos vendendo comida nos sinais, quem sonha em voltar a dar dignidade para seus filhos, em viver com decência não pode se dar ao luxo de aplaudir um Presidente (supostamente) sério, honesto, mas que nada faz para mudar concretamente a realidade do seu povo.

Demagogia à custa do sofrimento alheio é tudo o que o país menos precisa no momento.

Ja dizia o finado governador Eduardo Campos “ser bom no ‘bom’ é fácil.

Quero ver ser ‘bom’ no ruim”.

Se não se acha preparado para enfrentar os enormes desafios de ordem politica, ideológica e moral para construir, então que não se limite a apenas destruir a obra dos adversários.

Assumir a incapacidade de liderar um time e permitir que outro comando assuma o grupo e reoxigene as idéias tambem é uma prova de sabedoria.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2019/03/nao-vou-jogar-domino-com-lula-e-temer-no-xadrez-diz-bolsonaro-sobre-articulacao.shtml

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