Breno Altman: PT cavou a própria cova com seus erros e acertos.

fotorpt

SOBRE ACERTOS E ERROS

Há quem resista fortemente a qualquer avaliação crítica sobre o longo período petista no comando do governo, sob os mais distintos argumentos, quando não por razões de fé.

O mais razoável dos motivos, embora frágil, é que a esquerda não está sendo golpeada por seus defeitos, mas por suas virtudes, que deveriam ser enaltecidas para enfrentar a onda conservadora.

Ninguém sério pode desdenhar do legado de avanços da classe trabalhadora desde que Lula subiu a rampa pela primeira vez, mas vamos tentar colocar as coisas de modo mais realista.

As forças conservadoras, é fato, se empenharam para encerrar o ciclo petista por conta de seus acertos: a burguesia, em resumo, não aceitava mais conviver com o peso crescente dos salários, a expansão de direitos sociais e o controle estatal do pré-sal, desejando impor um forte retrocesso, de natureza ultraliberal, como plataforma básica de relançamento da acumulação capitalista.

Mas estes grupos reacionários somente puderam ser bem-sucedidos porque o PT e o conjunto da esquerda cometeram graves erros.

Alguns antigos, como a desconsideração da mobilização social dos trabalhadores como fator fundamental de governabilidade, a pouca relevância dada à luta pela reforma política até 2013 e a renúncia em enfrentar os monopólios da mídia.

Outros novos, como a política de ajuste fiscal no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, que aprofundou a recessão, acelerou o desemprego e dilacerou os laços de identidade da classe trabalhadora com o projeto defendido pelo PT.

Não é possível, portanto, entender o processo em curso apenas a partir das motivações antipopulares, antinacionais e antidemocráticas das classes dominantes.

Somente poderemos explicar a atual derrota estratégica se identificarmos – de forma paciente e respeitosa, mas também rigorosa e transparente – os equívocos que produziram as vulnerabilidades finalmente exploradas pelos inimigos do povo.

Não há outro jeito: para recuperar protagonismo, o conjunto da esquerda tem que compreender suas fragilidades e retifica-las através de uma nova política, de uma nova estratégia de poder.

Nossa situação é como a do futebol brasileiro depois da Copa de 2014. Não adianta comentar como jogou espetacularmente bem o ataque alemão, naquele fatídico 7×1, é preciso refletir sobre as razões de termos jogado tão mal e permitido resultado assim nefasto.

Compartilhe nossa pagina

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *