Contas apertadas: PE diz que a culpa de Dilma, mas numeros mostram outra realidade

PE Dados FiscaisPaulo Câmara foi às redes sociais repetir o velho blá-blá-blá de sempre de que o Governo de Pernambuco fez o dever de casa, que as contas estão em ordem e aproveitou para ‘prevenir’ o povo pernambucano de que tudo o que vier a acontecer de ruim é culpa da ingrata União, que decidiu não dar mais aval para que Estados e Municipios contraiam dividas.

Com o frágil argumento de que Pernambuco ainda tem limite pra gastar e que, portanto, não tem porque ser negado o acesso do Estado às linhas de crédito, Paulo Câmara mais uma vez torturou os números e tentou fazer mágica a fim de vender uma realidade fiscal insustentável.

Primeiro, com o argumento de que a Lei de Responsabilidade Fiscal permite um endividamento de 200% da Receita Corrente Líquida e que Pernambuco só teria comprometido até o momento pouco mais de 60% da RCL, o Governador tenta sensibilizar o eleitor (e o Governo Federal) de que pode mais, de que tem condições de buscar mais um trocado com a banca.

Não pode.

Vamos imaginar um pai de familia , que tenha um cartão de crédito com limite de R$ 10 mil, mas cuja renda de R$ 6.000,00 já não dá conta dos seus gastos mensais, da ordem de R$ 7.500,00: não há mágica orçamentária que prove a capacidade financeira deste pai em pegar mais emprestimo, ainda que tenha crédito na praça.

É o caso do Governo do Estado de Pernambuco.

Dados extraidos hoje do site do Banco Central (http://www.bcb.gov.br/?ESTATISTICADLSP) mostram que situação fiscal de Pernambuco piorou muito nos últimos anos e continua afundando, fruto de uma estratégica suicida baseada em três erros fundamentais:

1. investimentos em escolas, UPAs, hospitais e Arena sem nenhuma preocupação com a conta de custeio – as despesas necessárias para manter estes equipamentos públicos em funcionamento. Um bom hospital custa R$ 100 milhões para ser levantado e outros R$ 100 milhões todo ano pra estar em operação. Pernambuco construiu tres e Paulo Câmara ainda pretende fazer outros tres. O caso recente da Arena, cuja grande solução pode ser o rompimento do contrato – e desfazimento de um sonho – é um pouco disso: alguem que compra algo (ou manda fazer) sem saber como sustentar depois

2. Uma expansão descontrolada dos gastos públicos (em todos os anos dos governos do PSB, Pernambuco gastou mais do que arrecadou) sem a menor preocupação com o rigor fiscal, levando a uma desnecessária explosão da divida pública (De pouco menos de R$ 3 bilhões em 2008, ela pulou para mais de R$ 10 bilhões na atualidade, um salto de 250% para uma inflação de 52% no periodo)

3. Contratação de empréstimos em dólar, estratégia que se mostrou equivocada com a desvalorização do real frente ao dólar, provocando um sensivel encarecimento da dívida pública e expansão da conta com juros.

O que colhemos com uma gestão tão irresponsável e calamitosa? Voce pode ver na figura do post: de um Estado que estava no lucro operacional em 2008 (R$ 770,23), hoje o PSB vai tocando como pode uma máquina pública que só em fevereiro deste ano gastou quase R$ 1,7 bilhões a mais do que arrecadou

Dizer que as contas estão equilibradas, que o Estado está ‘saudável’ e que esta gestão tem condições de pegar empréstimos demonstra, no minimo, um estado de negação, uma postura semi-autistica dos gestores estaduais, que, ou não sabem fazer contas, e ai fica a dúvida onde estaria a capacidade dos que foram reeleitos ou que simplesmente mentem por estarem acostumados a a viver num ambiente propicio a fantasia eleitoreira e zero contraditório. 

Com a palavra, a oposição, que nunca foi atrás destes numeros nos últimos anos e a imprensa, eternamente dopada pelas verbas de propaganda.

Até quando?

Paulo Câmara/Governador de Pernambuco no Facebook

Tudo indica que 2015 será um ano que vai ser marcado por um PIB negativo para nós brasileiros. Só entre janeiro e fevereiro o Nordeste perdeu cerca 60 mil postos de trabalho. Todo mundo sabe que crise a gente combate com trabalho e investimentos estruturadores. Infelizmente, agora há uma política do Governo Federal de não liberar empréstimos para os estados, mesmo os que estão com suas contas equilibradas, como Pernambuco. O que é extremamente injusto.

Nós sabemos que a grande dívida brasileira está na União e em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Esses quatro estados, junto com a União, são responsáveis por 84% da dívida nacional.

O comprometimento da receita de Pernambuco para pagamento de empréstimos é quatro vezes menor do que a lei permite. Ou seja, nossas contas são saudáveis e poderíamos perfeitamente buscar crédito em organismos internacionais, como o Banco Mundial, para enfrentar a crise. A gente não está pedindo dinheiro ao governo federal. Precisamos apenas de autorização legal para buscar crédito internacional.

Pernambuco e outros estados que estão equilibrados estão sendo prejudicados em virtude das metas de resultados primários do Governo Federal, mesmo sabendo que nós temos condições de pegar empréstimos em organismos internacionais, o que não afetaria o caixa da União.

Mas eu aprendi desde pequeno que o bom cabrito não berra. Então, vamos trabalhar com o que nós temos. Os desafios são grandes, mas Pernambuco vai mais uma vez dar o exemplo ao país.

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