Hora de endireitar o aparelhamento do Estado

Houve um tempo em que Reinaldo Azevedo era um dos colunistas antipetistas mais celebrado do país e a revista Veja liderava a midia opositora ao lulopetismo, fazendo a cabeça da parte da sociedade civil que não se identificava com o governo.

Em um posts no seu blog (https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/a-ruina-causada-pelo-aparelhamento-do-estado/), Reinaldo Azevedo, a partir de estudos da cientista política Maria Celina D’araújo, expunha o conceito de aparelhamento da máquina pública e dizia qual deveria ser o remédio para corrigir aquele processo de controle do Estado por um partido politico: uma ponte partidária plantada na máquina burocrática, uma ocupação ideológica que só poderia ser evitada com a transparência total nos processos de seleção dos altos dirigentes.
(http://observatory-elites.org/wp-content/uploads/2011/11/D-Araujo-e-Lameirao-A-elite-dirigente-do-governo-Lula.pdf)

Ao surpreender a todos e escolher para Ministro das Relações Exteriores um diplomata obscuro que nem de longe era citado nas rodas de conversa de Brasilia e sequer chefiou uma missão diplomática mas que tem o ‘trunfo’ de arrotar o ódio contra o PT e as esquerdas nas redes sociais, fica evidente que, se o futuro Governo Bolsonaro parece determinado a reverter o processo de aparelhamento tocado pela esquerda, ao mesmo tempo a turma do capitão não parece nem um pouco interessada em desfazer o processo de aparelhamento do Estado.

Este processo, mais profundo, intenso e demorado, exige, como bem dito pela professora Maria Celina, a construção de processos, diretrizes e modelos de preenchimento dos cargos que passem longe das práticas que o Capitão acusa o PT de fazer, o que definitivamente não acontece na forma como ele monta sua equipe.

Em clara demonstração de confusão entre o público e o privado, entre o pessoal e o impessoal, as indicações feitas por Bolsonaro na verdade sinalizam o incio de uma asfixiante ocupação ideológica da máquina pública pela direita, apenas invertendo o sinal político que envenena as políticas públicas e os órgãos responsáveis pelo funcionamento do Estado.

Mais do mesmo. Sem tirar nem por.

Não vai dizer que voce acreditou naquele papo de politico em campanha falando que o Brasil ia mudar com a eleição dele, acreditou?

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/10/chefe-de-departamento-do-itamaraty-usa-blog-para-fazer-campanha-para-bolsonaro.shtml

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