Imigrante, você não é bem-vindo

Primeiro o então deputado Jair Messias Bolsonaro exprime o que pensa de quem deixa sua casa, seus parentes, sua terra em busca de uma vida em um lugar qualquer: os refugiados são a escória do mundo.

Depois o já candidato a presidente aproveita seus minutos de exposição na campanha eleitoral para reforçar sua aversão a receber cidadãos, critica a politica de portas abertas e deixa claro que acolher pessoas não está entre suas prioridades.

Já eleito, chega a vez do seu futuro Ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo oficializar a índole xenofóbica do futuro governo.

Em pouco mais de um punhado de postagens no twitter ontem à noite, o futuro chanceler do governo que se inicia resolver dar um foda-se para ONU, retirando o apoio do pais a políticas migratórias aplicáveis em todo o mundo e anunciando aos quatro cantos do planeta que a partir de 1/1/2019 a prioridade será bater a porta na cara de quem chega ao Brasil.

A regra será dar as costas, recusar ajuda, dar não a quem precisa.

Eventualmente, e caso a burocracia e a má-vontade governamental ajude, quem sabe, talvez, e de forma excecional, iremos avaliar o acolhimento do cidadão que pede socorro.

Se estivessemos em 1620 e Ernesto Araujo fosse o o chefe Massasoit da tribo Wampanoag, ele teria impedido que imigrantes brancos, de olhos azuis, de origem desconhecida e potencialmente perigosos aportassem o seu navio Mayflower no porto de Southampton e iniciassem ali um gradativo processo de destruição da cultura indigena americana nos “EUA”, que não tinham esse nome porque não tinham ocorrido guerras para unir o vasto território.

Com a sabedoria de quem estaria protegendo o território nacional dos invasores, Ernesto certamente teria tido o apoio dos chefes tribais para mandar o MayFlower voltar para a Irlanda, impedindo que a pureza étnica e cultural dos índios fosse atingida.

Junto com a estupidez do raciocinio higienista e discriminatório que prega o isolacionismo, o ‘cada um por si e Deus por todos” de Ernesto tambem teria acabado com a chance de vermos surgir um Google, uma General Eletric, uma Westinghouse, uma Microsoft, um Michael Jackson…todas fundadas por iimigrantes não indigenas, gente de origem anglo-saxão, asiática, euroasiática, africana…

Há séculos, somos conhecidos por ser uma nação que prega uma política de portas abertas.

Adotar meios de dar as costas para quem precisa, fechar as portas para necessitados ou simplesmente dar ‘não’ para quem tem origem “perigosa” é moralmente inadmissível, arranje o argumento jurídico diplomático que arranjar.

O nome disso é política higienista, discriminatória, xenófoba, racista…e, pasmem, vem justo de um governo cuja coluna vertebral que o sustenta é um abancada evangélica pregadora de valores cristãos fundamentais.

Convenientemente, os crentes que povoam gabinete bolsonarista optaram por não lembrar do mandamento cristão no livro de Tiago, 2, que prega o tratamento aos semelhantes como gostaria que tratassem voce:

Tiago 2
Devemos tratar a todos com igualdade
2 Meus irmãos, vocês que crêem em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo não devem ao mesmo tempo ser parciais em relação às pessoas. 2 Vamos supor que entre no lugar onde vocês se reúnem um homem com anéis de ouro nos dedos, vestido com roupas finas, e que também entre um pobre, vestido com roupas velhas. 3 Depois de tratarem com uma consideração especial aquele que está vestido com roupas finas, vocês lhe dizem: “Sente-se aqui no lugar de honra”. Em seguida vocês dizem ao pobre: “Você fique ali de pé” ou “Sente-se aqui no chão, perto dos meus pés”. 4 Ao agirem assim, será que não estão fazendo distinções entre vocês mesmos?

Como dizem os eleitores dele, a gente votou sabendo disso e fica feliz vê-lo cumprindo a promessa.

Até esse argumento pueril carece de fundamentos, dado que, por razões eleitorais, o pais inteiro foi privado de conhecer o que o então candidato pensava e defendia nos debates.

O resultado é um cheque em branco catastrófico, retrógrado, eivado de vicios e preconceitos, que ameaça encapsular uma nação vibrante, jovem, um povo acolhedor e conhecido por sua vontade de abraçar o mundo numa espécie de república teocrático-paranóica feudal.

Merecemos mais e melhor. Sem dúvidas.

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