Investimento no Porto Mariel faz sentido – Jornal O Globo

Qual a relevância destas criticas contra o financiamento do BNDES ao porto de Mariel em Cuba?

Todo grande pais desenvolvido que se preza tem o seu agente financeiro voltado para dar suporte às exportações de bens, produtos e serviços. Exportação significa atração de divisas, integração com o comércio internacional, abertura comercial.

É assim com Eximbank americano e é assim com o BNDES, quando este financia as empreiteiras que vão construir o Porto: o BNDES não está apoiando a exportação de tijolos e cimentos e sim provendo suporte financeiro para a venda de serviços de planejamento, engenharia construtiva pesada, soluções de infraestrutura, de energia, enfim, a criação de clusters voltados para embarque de produtos ao maior mercado consumidor do mundo, os EUA.

O problema é a cegueira eleitoral que nos impede de ver o acerto de uma politica que deveria ser de Estado, apoiada por todos independente de lado.

Tão acertada que esta era a regra das politicas de comércio exterior do Itamaraty no Governo FHC, como se verifica com uma simples busca no google:

HAVANA (Reuters) – O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, disse na segunda-feira em Havana que vê com bons olhos a concessão de créditos a Cuba, abalada por vários problemas financeiros.

Lafer chegou no domingo para uma visita de três dias à Cuba, a primeira como chanceler. O ministro começou sua agenda na segunda-feira, com uma reunião com o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón.

http://noticias.uol.com.br/inter/reuters/2002/09/23/ult27u26342.jhtm

Tanto faz sentido, que às vezes ate imprensa brasileira, assumidamente anti-petista, concorda com os atos do governo:

Investimento no Porto Mariel faz sentido – Jornal O Globo.

Investimento no Porto Mariel faz sentido

É de se estranhar que o Brasil tenha se envolvido tão fortemente na modernização e ampliação do Porto Mariel, em Cuba. Com uma economia socialista, o que o Brasil tem a fazer lá, em um ambiente ainda de embargo econômico por parte dos Estados Unidos? Neste caso, o interesse estratégico do país pesou mais — à parte simpatias ideológicas —, e não só de médio e longo prazos: a reconstrução do porto se tornou boa oportunidade de negócio para empresas brasileiras. Com o velho modelo socialista esgotado, o governo de Raúl Castro começa a ter uma visão mais pragmática sobre a economia. A experiência chinesa certamente contribui para quebrar convicções arraigadas do aparelho de estado cubano e, sem alternativa, a ilha caribenha passa a enxergar o mercado internacional como única saída para impulsionar sua economia.

Cuba não conta com variedade significante de matérias-primas e nem é um país industrializado. Mas tem uma posição geográfica privilegiada, que, no futuro será de grande importância. Mariel é o porto caribenho mais próximo da Flórida e se encontra a apenas 45 quilômetros de Havana, capital de Cuba, que concentra mais de 20% da população do país.

O investimento no porto é de quase US$ 1 bilhão e só faz sentido porque em torno dele surgirá uma zona econômica especial,, voltada basicamente para exportações. O Brasil tem uma participação ainda pouco significativa nos mercados caribenho e da América Central. Mariel é um caminho para que empresas brasileiras se instalem nessa zona econômica especial e processem produtos destinados a esses mercados, especialmente os de alta tecnologia, que utilizarão muitos insumos inexistentes em Cuba (e que, por isso, terão diferentes origens, fazendo com que o porto tenha papel central em todo esse projeto). A proximidade com o novo Canal do Panamá também é um fator a se considerar, para chegada aos mercados situados no Pacífico.

As obras no porto são basicamente financiadas pelo BNDES. Do orçamento inicial de US$ 957 milhões, US$ 802 milhões foram financiados pelo Brasil. No entanto, desse valor, o equivalente a US$ 800 milhões foram gastos na contratação de serviços e de equipamentos produzidos no Brasil, o que gerou cerca de 20 mil empregos no país, sem contar com os postos de trabalho criados em Cuba. A modernização e ampliação de Mariel estão ocorrendo conforme o previsto, o que levou o Brasil a negociar a liberação de mais um financiamento de US$ 200 milhões para Cuba.

O porto responde pela maior parte do total de financiamentos (US$ 1,6 bilhão) concedidos pelo Brasil a Cuba. A pergunta é se não há risco de calote. Mesmo com todos seus problemas, Cuba permanece em dia com o Brasil, e no caso específico de Mariel, houve a preocupação de vincular os pagamentos diretamente às receitas obtidas pelo porto. Tudo isso não elimina a necessidade de haver transparência em torno dos empréstimos brasileiros.

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2 comentários sobre “Investimento no Porto Mariel faz sentido – Jornal O Globo

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