Minha Casa Minha Vida agoniza

A decisão do governo de suspender por prazo indefinido os contratos de financiamento do programa Minha Casa Minha Vida é uma punhalada, um puxão de tapete justo em quem mais precisa de ajuda governamental para realizar o sonho da casa própria, aos trabalhadores com renda mensal de até R$2,6 mil.

Surpreso com a medida? Não, nem um pouco.

Não podemos esquecer que este foi um pleito de milhares de pessoas em 2016, quando um público que NÃO PRECISA DO MCMV saiu às ruas implorando por mais responsabilidade fiscal, maior rigor e equilibrio nas contas públicas. O alvo prioritário destas queixas eram os subsidios fiscais,  bem representados à época pelas famosas pedaladas fiscais.

Tecnicamente, subsidios são, a grosso modo, o montante de recursos que um Estado deve aplicar numa atividade econômica ou creditícia quando o mercado não se mostra disposto a estimular.

Durante as passeatas pelo impeachment da presidenta Dilma os subsidios foram demonizados, suspensos, reduzidos e, conforme pedido, finalmente aniquilados. Sem estes auxilios governamentais, restam agora aos potenciais compradores de imóveis os módicos juros do mercado financeiro, que, focados na recuperação das margens dos bancos e agora com os bancos públicos como aliados na missão de arrancar dinheiro do cidadão-consumidor, empurram as taxas de financiamento pra cima.

Em relação a justificativa da atividade econômica como condição para retomada das operações, também era esperado o desempenho decepcionante que estamos vendo: Se não há estimulos fiscais, subsidios fiscais ou crediticios, reduções de juros nos bancos públicos ou autorização para que o Estado lidere o processo de retomada da atividade, como imaginar que a iniciativa privada iria se expor a um cenário tão deprimente?

E para piorar, a convocação do ortodoxo liberal Joaquim Levy, mais conhecido como Joaquim mãos de tesoura, é a certeza de que o governo Bolsonaro escolheu um caminho adotado por FHC, Lula e Dilma que não combina com geração de empregos, renda e crescimento do PIB: o apelo insensato a mais austeridade fiscal, maior retração da atividade estatal e contenção das ações dos bancos públicos tenderá a resultar em anos de atividade econômica deprimente, receitas fiscais em patamares sofríveis, orçamentos congelados e pouco espaço fiscal (para não dizer pouca boa vontade) para retomar um periodo de glória na economia real.

Em tempos de teto de gastos e crise fiscal, mais do que nunca, será preciso enxergar com lupa quais são as reais intenções de cada governo e que setores da sociedade serão agraciados com o privilegiado acesso ao parco orçamento público.

Aparentemente, não serão aqueles que mais dependem do poder público para vencer as injustiças da vida e do mercado.

https://www.valor.com.br/financas/5981039/caixa-congela-novos-financiamentos-para-faixa-do-minha-casa

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