Para Arminio Fraga, basta sua palavra para o Brasil tomar rumo. Querer é poder?

PROMESSASHá um bom tempo eu não lia uma entrevista tão descompromissada, tão populista e, porque não dizer, relativamente displicente, vinda de uma pessoa considerada por muitos o ‘fenômeno’ da ciência economia tupiniquim.

Durante sua longa exposição ao jornal Valor Econômico, Arminio Fraga teve tempo, espaço e direito a explicitar detalhadamente que medidas iria tomar. Preferiu apostar que como já anunciado quase-futuro Ministro da Fazenda não tem a obrigação de inflar as especulações do mercado. Esqueceu de que ainda não dialoga com operadores de tesouraria e sim potenciais eleitores.

Fraga foi displicente na exposição dos custos de suas medidas (cortes de ministérios, combate à corrupção e redução de custeios são sempre importantes, mas insuficientes para colocar um freio na economia), não quis dar o devido crédito às consequências dos ajustes propostos (por em prática um arrocho fiscal é simples, mas se o custo for jogar a economia numa recessão ainda mais profunda, a sociedade está disposta?) e demonstrou um voluntarismo excessivo quando definiu que em até dois anos terá aprovado medidas como a complicadissima reforma tributária (que depende sobretudo da vontade dos governadores e do interesse da União em bancar as perdas dos Estados por um tempo indefinido).

Ainda cravou que em dois anos terá atingido um superávit de 3% do PIB e se livrado do fantasma da inflação ao liberar preços de gasolina e energia ao sabor do mercado.

Tantas medidas de impacto nas finanças públicas, nos orçamentos das familias e nas fontes de financiamento do empresariado não seriam capazes de paralisar de uma vez a economia?

A incrivel resposta do economista talvez seja a maior prova do quanto o populismo eleitoral contaminou o discurso do mentor econômico de Aécio:

“Temos a meta de levar o investimento a 24% do PIB ao final de quatro anos e eu acredito que esse programa que estamos discutindo também fará com que a produtividade cresça bastante. Se essas duas coisas acontecerem, o crescimento passa de 4% ao ano. Sem esticar a inflação, o balanço de pagamentos, ou o endividamento do governo”

Parece facil crescer 4%. Para Arminio, querer é poder, pelo visto.

http://www.valor.com.br/eleicoes2014/3700828/para-arminio-ajuste-fiscal-de-3-do-pib-em-2-anos-e-possivel

Compartilhe nossa pagina

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *