Para o PSDB, petismo foi responsável por nova década perdida na economia

BRASIL REAL – CARTAS DE CONJUNTURA ITV – Nº 138 – SETEMBRO/2016

PIB: o Brasil no mundo na era PT

Síntese: Concluído o ciclo petista de governo, é possível fazer uma radiografia do desempenho geral da economia sob as gestões de Lula e Dilma. O resultado joga por terra o argumento de que o PIB do Brasil vai mal porque o resto do mundo também vai. Desde a ascensão do PT ao poder, o desempenho brasileiro ficou muito aquém da média global e de economias próximas ou similares à nossa. A debacle foi mais forte nos seis anos de administração de Dilma. Com crescimento acumulado de apenas 1% desde 2011, o Brasil ocupa a 172ª posição num ranking de 189 países. Em linhas gerais, com o PT o país terá experimentado uma década perdida.

A divulgação dos resultados do PIB do segundo trimestre, o último com o país ainda sob o comando de Dilma Rousseff, permite realizar um balanço das gestões do PT na economia. A radiografia expressa pelos números é desastrosa e joga por terra os argumentos propalados pela ex-presidente como parte de sua defesa no processo que resultou em seu impeachment, em fins de agosto.

O Brasil situa-se hoje na lanterna dos rankings de crescimento globais. Somos um dos poucos países em todo o mundo em que o PIB cai, o que deixa claro, de uma vez por todas, que os problemas que nos levaram à crise econômica atual são internos, decorrentes de decisões e opções equivocadas tomadas pelas gestões petistas e não resultantes de uma hipotética instabilidade internacional de proporções planetárias.

A economia nacional experimenta atualmente a mais severa recessão de sua história, e só não mais duradoura do que a vivida entre 1989 e 1992 durante o governo de Fernando Collor de Mello. Naquela época, o PIB brasileiro caiu por 11 trimestres seguidos e agora já são seis trimestres consecutivos de produto em retração.

Década perdida
A produção de bens e serviços voltou ao patamar registrado no último trimestre de 2010, com recuo acumulado de 8%. Ou seja, são cinco anos e meio perdidos, o que equivale a todo o período em que Dilma governou o país. A queda só não é maior que a experimentada no período entre 1981 e 1983, no governo Figueiredo (-8,5%). Mas, com os resultados já projetados para este ano (o FMI estima queda de -3,3% em 2016), a marca certamente será batida.

Em termos per capita, o PIB já caiu 16% em apenas três anos, conforme projeção feita pelo Ministério da Fazenda. Estima-se que apenas no início da próxima década este indicador recuperará o nível de 2013. Serão, portanto, quase dez anos perdidos. Colaboram para o empobrecimento geral da população brasileira o desemprego recorde e a inflação, que corrói salários e encarece os preços de alimentos e serviços.

Vistos no detalhe, os resultados das contas nacionais revelam recuos ao longo dos governos do PT ainda mais expressivos. O maior deles é o da chamada formação bruta de capital fixo, ou seja, os investimentos em máquinas, equipamentos e construção. Desde seu pico, alcançado no terceiro trimestre de 2013, a queda acumulada chega a 26%. Grosso modo, significa que, de cada quatro unidades de investimento, uma deixou de existir num espaço de três anos. Em seguida aparece a indústria de transformação, que despencou 19% desde o ápice, no já longínquo terceiro trimestre de 2008. A exceção são as exportações, atualmente em sua máxima histórica.

Queda acumulada desde a máxima histórica
(por setores e subsetores, com ajuste sazonal)

Fonte: IBGE/Contas Nacionais. Período: desde a máxima de cada setor ou subsetor até o 2° trimestre de 2016.

Vexame internacional
Se comparada consigo mesma a economia brasileira no período petista já é decepcionante, quando o cotejo é feito com outros países o desempenho torna-se vexaminoso. Desde a ascensão de Dilma ao poder, o crescimento acumulado do PIB é de apenas 1%, ou seja, 0,17% ao ano, para uma população que cresce, vegetativamente, 0,9% ao ano. Na média, entre todos os presidentes desde a proclamação da República, a petista só não foi pior que Collor e Floriano Peixoto.

O resultado coloca o país, considerando o período 2011-2016, em penúltimo lugar entre os dez países da América do Sul e em 18º na comparação com as 19 economias latino-americanas (em ambos os casos, a lanterna fica com a Venezuela, com queda acumulada de 7% no período). No ranking global, formado por 189 países com resultados publicados e acompanhados pelo Fundo Monetário Internacional, o Brasil governado por Dilma figura num inacreditável 172° lugar.

Para ficar em apenas alguns exemplos, enquanto crescemos 1% nos últimos seis anos, países como a Índia avançaram 49%, o Panamá, 55%, o Peru, 31% e o Chile, 22%. São todas economias com perfis similares ao do Brasil e supostamente, se o discurso oficial petista tivesse algum pé na realidade, enfrentando a mesma “crise internacional” que a economia brasileira deveria estar enfrentando, com preços de commodities mais baixos e dificuldades para exportar. Desde 2011, o crescimento mundial médio alcançou quase 23%, o da América Latina superou 12% e a das economias sul-americanas bateu em 9%.

Ruim em todo o período petista
A situação atual, contudo, não difere muito do que aconteceu ao longo de todo o período de governo de Lula e Dilma. Mesmo no tempo das vacas gordas do boom das commodities, a economia brasileira teve desempenho pior que o de suas concorrentes. É possível que isso diga bastante sobre o modelo econômico adotado pelo PT, baseado em gastos públicos desmesurados, concessão de crédito barato e farto para empresas apaniguadas e intervenção direta no funcionamento dos mercados, com contratos rasgados ao léu.

Quando se estende o período de análise para os 14 anos de administração petista, a posição brasileira na lista global não se altera muito. Enquanto todo o mundo avançava consideravelmente, o Brasil crescia relativamente bem menos. Entre 2003 e 2016, a expansão geral do PIB nacional foi de 39%, novamente o segundo pior da América do Sul, o 16° na América Latina e o 137° em todo o mundo. Neste período mais longo, o crescimento mundial acumulado foi de 71%, o da América Latina, de 55% e o da América do Sul, de 58%. Não se trata de meros índices. Apesar de todas as imperfeições, o PIB é o indicador que melhor traduz avanços não só econômicos, mas também sociais.

Crescimento do PIB na América Latina, 2003-2016 (em %)

Fonte: Fundo Monetário Internacional/World Economic Outlook Database, Abril, 2016. 2016: projeção.

Todos estes números neutralizam os argumentos usados pelo discurso petista de que a economia brasileira teria sido prejudicada por uma hipotética crise internacional. Os países mais diretamente afetados pela quebradeira dos anos 2008-2009 já se recuperaram, enquanto o Brasil, depois de um período de reação positiva à crise, acentuou uma receita que só serviu para atolar ainda mais o país, a despeito de todos os alertas em contrário. A recuperação brasileira passa, portanto, pelo abandono integral desta cartilha.

A saída está em abrir espaços para os investimentos privados, num momento em que sobra dinheiro para aplicar em todo o mundo. Também depende do controle mais rigoroso dos gastos do governo, de maneira a permitir a redução dos juros e, assim, também incentivar o uso dos recursos disponíveis em iniciativas que aumentem a produtividade geral do país. E passa, por fim, por uma maior integração da economia nacional ao mercado global, ao qual as gestões petistas deram as costas ao longo de mais de uma década, conduzindo o Brasil à ruína com a qual hoje convivemos.

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