Parado enquanto anda pra trás

Um governo cuja base aliada se resume a um (1), apenas um partido. 56 deputados entre 513, pode ser tudo menos um governo.

Talvez um amontoado de gente, uma associação dos representantes de eleitores ingênuos, um agrupamento de técnicos nostálgicos da ditadura, tudo menos uma coalização que depende de articulação, de convencimento, de conquista de apoio em troca de aprovação de projetos.
Novidade? Surpresa?

Só se não acompanhar o que venho dizendo desde outubro de 2018. Em breves linhas, expus diversas vezes que:

1. O discurso de Bolsonaro poderia ser ótimo para ganhar as eleições, mas sua dinâmica de formação de governo – esnobando partidos, políticos e líderes das legenda – lhe transformaria numa nulidade governamental.

2. Quem é bom para ganhar eleições não necessariamente é bom pra governar.

3. Um governo que so tinha eleito 10% do Congresso necessariamente precisaria sentar com o centrão, o velho PMDB e o PSDB-comunista-irmão-gêmeo-do-PT.

4. De nada adiantava trazer Sérgio Moro, Paulo Guedes ou o astronauta para a Esplanada se a Nasa não tinha votos no Congresso nem a Lava-Jato teria o poder de converter conduções coercitivas em votações favoráveis no Senado.

O diagnóstico persiste mas o cenário não muda.

Porque não muda?

Tambem defendo uma tese ja exposta aqui: Há nos bastidores uma ala do bolsonarismo disposta a provocar o fracasso da relação parlamentar, o stress da relação institucional com o STF objetivando paralisar a agenda do Executivo, algemar o país e usar este estado de coisas político-institucional como álibi para a carta do autogolpe administrativo.

Não é possível nem razoável que este cenário gritantemente ineficaz (politicamente falando) esteja sendo levado em banho-maria como se não houvesse uma urgência na retomada do rumo da sociedade.

Tem que ser muito imprudente para insistir nesse descaminho de criminalização da política.

A paralisa legislativa é contraproducente e desanima investidores, agentes econômicos, trabalhadores e entidades
A sociedade precisa compreender o papel da política, defender a correta participação dos partidos e exigir que suas lideranças participem ativa e moralmente do processo legislativo ao invés de defender sua extirpação da vida democrática.

Acreditar que o país retomará seu rumo com mais divisão, mais ódio, mais preconceito e mais vilanização da política é beijar a boca do autoritarismo.

Um programa de governo de um lesa-pátria irresponsável.

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/03/maia-muda-o-tom-politico-na-defesa-da-reforma-da-previdencia.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=comptw

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