Realismo tarifário? Energia deve subir 40% no ano | Valor Econômico

Valor Econômico –  Leandra Peres, Daniel Rittner e Rafael Bitencourt

Tomohiro Ohsumi/Bloomberg

As tarifas de energia elétrica podem subir até 40% em média neste ano para compensar o fim dos repasses do Tesouro para o setor e a redução de subsídios anunciada ontem. O custo da adoção do “realismo tarifário” foi calculado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e apresentado à presidente Dilma Rousseff na segunda-feira, durante reunião com os ministros Eduardo Braga, de Minas e Energia, e Joaquim Levy, da Fazenda.

Durante o encontro, Dilma decidiu abandonar o pilar do “novo modelo do setor elétrico”, criado em 2012, baseado em subsídios do Tesouro à tarifa de energia. Agora, os custos serão repassados às contas de todos os consumidores.

O índice de 40% é uma média do que deve ocorrer com as tarifas no setor, porque os reajustes vão variar de região para região. O aumento final dependerá também da revisão dos subsídios que o governo já anunciou.

A presidente aceitou que a inflação deste ano tenha esse impacto do aumento da energia, diz uma fonte do governo. O impacto sobre o IPCA de 2015 deve ser de 1,2 ponto percentual.

O novo cenário é bem distante do previsto pelo Banco Central no último relatório de inflação, que projeta um aumento de 17% nas tarifas de energia. Usando esse percentual como referência, o BC previa inflação de 6,1% neste ano.

A indústria do Nordeste deverá pagar também uma fatura “extra”. O Ministério de Minas e Energia sugeriu à presidente Dilma o veto da extensão de um contrato que expira em junho, pelo qual a Chesf fornece energia abaixo dos preços de mercado para indústrias eletrointensivas com operações na Bahia, Alagoas e Pernambuco. Por esse contrato, firmado há mais de três décadas, algumas indústrias compram energia a R$ 110 por megawatt-hora – o custo de mercado é três vezes maior.

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