Relatório regional do BC mostra números pavorosos para a economia nordestina

A atividade econômica no Nordeste manteve-se em retração nos cinco primeiros meses de 2016, impactada pela crise de confiança dos agentes econômicos e pelos resultados desfavoráveis na agropecuária, notadamente soja, impactada pela seca observada na região pelo quinto ano consecutivo. É o que aponta o Boletim Regional do Banco Central, com dados e indicadores econômicos de cada região do país. (vide aqui o boletim br201607c2p)

economia NE

Para o BC, a recuperação da atividade na região nos próximos trimestres está condicionada à reversão da crise de confiança e a uma aposta nos benefícios esperados do ajuste macroeconômico em curso.

A pesquisa apontou diminuição nas vendas em nove dos dez segmentos pesquisados (livros, jornais, revistas e papelaria, -21,1%; material de construção, -5,8%). Excluídas as variações nas vendas de veículos (-3,5%) e de material de construção, o comércio varejista contraiu 2,7% no período (-3,7% no trimestre encerrado em fevereiro)

Os emplacamentos de automóveis e comerciais leves na região, indicador de vendas do setor, recuaram 25,4% no trimestre finalizado em junho, em relação a igual período do ano anterior, de acordo a Fenabrave. O indicador retraiu 29,8% no primeiro semestre do ano, em relação a igual período de 2015.

Os desembolsos do BNDES para o Nordeste totalizaram R$5,7 bilhões no primeiro semestre do ano (14,2% do total nacional), reduzindo-se 39,7% em relação ao período equivalente de 2015. Considerados intervalos de doze meses, os desembolsos do BNDES para a região diminuíram 22,1% em junho, em relação a igual período de 2015.economia NE 2tri-2016

A taxa de desemprego da região situou-se em 12,8% no trimestre encerrado em março, ante 9,6% em igual período de 2015, de acordo com a PNAD Contínua, do IBGE, uma retração de 3,7% na população ocupada e de 0,1% na População Economicamente Ativa (PEA). O rendimento real médio habitual recuou 4,2% e a massa salarial, 6,8%, no trimestre

O mercado de trabalho do Nordeste, refletindo a moderação da atividade econômica na região, registrou a eliminação de 92,4mil postos de trabalho no trimestre finalizado em maio de 2016 (-98,4 mil em igual período do ano anterior), de acordo com o Caged/MTPS.

Houve cortes em todas as atividades pesquisadas, à exceção da administração pública, ressaltando-se os registrados na indústria de transformação (29 mil) e no comércio (23,3 mil). O nível de emprego formal diminuiu 1,0% no período (-1,1% no trimestre encerrado em fevereiro), considerados dados dessazonalizados.

Já no quesito arrecadação de impostos, a receita de ICMS no Nordeste totalizou R$69,6 bilhões no período de doze meses finalizado em maio de 2016, segundo a Cotepe, do MF, com recuo real de 5,7% em relação a igual intervalo de 2015, considerado o IGPDI como deflator.

As transferências da União, incluídos os recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) somaram R$73,5 bilhões no período, conforme a STN, recuando 6,7%, em termos reais, na mesma base de comparação.

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