Rombo da Previdência aumenta 77% no ano

Déficit acumulado em doze meses fecha em R$ 137,5 bi em abril
O déficit das contas da Previdência aumentou 77% no primeiro quadrimestre de 2016. A diferença entre pagamentos e recolhimentos foi afetada pela escalada das taxas de desemprego no país, que já rondam 10%. Com menos trabalhadores no mercado, o recolhimento par a previdência diminuiu. Com esse desempenho do setor, o governo federal registrou uma piora nas suas contas em abril. Segundo o Tesouro Nacional, as receitas federais superaram as despesas em R$ 9,75 bilhões no mês, superávit 11,4% inferior ao do mesmo período do ano passado, já descontada a inflação do período.
Abril é historicamente um mês de superávit nas contas do governo federal (nunca houve déficit), por causa do calendário de pagamento de tributos. O resultado do mês passado não foi suficiente, no entanto, para reverter a trajetória de piora verificada desde 2014.
No acumulado do ano, pela primeira vez, o governo registra um resultado negativo, de R$ 8,5 bilhões. O déficit acumulado em 12 meses está em R$ 137,8 bilhões. A projeção do governo é que o rombo chegue a mais de R$ 170,5 bilhões neste ano. Valor que foi aprovado no Congresso Nacional na semana passada.
No mês passado, Tesouro e Banco Central elevaram em 27% o seu superávit em relação a abril de 2015 (descontada a inflação), mas o aumento no déficit da Previdência foi determinante para derrubar o resultado total.
As contas previdenciárias têm sido afetadas, principalmente, pela queda na arrecadação, por causa do aumento do desemprego. No primeiro quadrimestre, a Previdência perdeu R$ 7,3 bilhões em receitas e suas despesas subiram R$ 7 bilhões. Segundo o governo, nos quatro primeiros meses deste ano foi contabilizado um déficit (despesas maiores que as receitas) de R$ 37,49 bilhões. Em relação ao mesmo período de 2015, quando o resultado negativo somou R$ 21,16 bilhões, houve um aumento 77% no rombo previdenciário. E por isso que a reforma no sistema é tão defendida pelo governo do presidente interino Michel Temer. Cogita-se, inclusive, colocar uma teto mínimo para aposentadoria para 65 anos para homens e mulheres.
Medidas. Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, as ações de estabilização da macroeconomia visam trazer ao mercado de trabalho 11 milhões de desempregados. Além de melhorar a economia, eles garantiriam a sustentabilidade da Previdência no longo prazo. “No momento em que restaurarmos a confiança, com medidas sólidas de macroeconomia e ações também de microeconomia, teremos um processo gradual de retomada do consumo, das vendas, do emprego e consequentemente do investimento, para entrarmos em outro ciclo, que também vai levar a um aumento da arrecadação”, disse o ministro.
Mais medidas para crescer arrecadação
Rio de Janeiro. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse ontem que o governo tem de criar condições macroeconômicas para que todos possam trabalhar, produzir e investir para que o país volte a crescer. As primeiras medidas tomadas pelo governo Michel Temer vão nessa direção, destacou o ministro na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Ele adiantou que outras medidas podem ser adotadas para aumentar a arrecadação e citou a venda de ativos, as concessões e privatizações.
Segundo o ministro, há muito trabalho a fazer, e a finalidade do governo é promover o crescimento econômico do país. De acordo com Meirelles, isso significa criar emprego, aumentar a renda e a produção das empresas. Ele recorreu a metáforas futebolísticas para falar sobre a situação da economia. Instigado por uma pergunta do ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan sobre a falta de ações de “ataque” do novo governo, Meirelles lembrou que o objetivo final sempre é marcar gols, mas primeiro é preciso parar de tomá-los. (O Tempo Online)

Compartilhe nossa pagina

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *