Se vendesse apenas os botijões de gás, Petrobrás arrecadaria mais do que o que pretende com venda de toda a Liquigás

DO VALOR

A Petrobras recebeu na quarta­feira pelo menos três propostas para aquisição da Liquigás, sua subsidiária no mercado de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). Segundo apurou o Valor, as ofertas foram apresentadas durante uma reunião em São Paulo pelas empresas Copagaz, Ultragaz (grupo Ultra) e Nacional Gás (Grupo Edson Queiroz). Após a apresentação das propostas, a Petrobras teria aberto um prazo de 60 dias para anunciar sua decisão.

De acordo com pessoas próximas às negociações, o valor da compra não é a única variável que será avaliada pela direção da estatal, mas também o conjunto de ativos da Liquigás que será incluído no negócio. A Liquigás responde atualmente por cerca de 21,9% do mercado brasileiro de GLP, mais conhecido como gás de cozinha. A empresa foi adquirida pela Petrobras em 2004 por meio da BR Distribuidora. O negócio foi fechado por cerca de US$ 450 milhões, mas envolveu outros ativos, como uma rede com 1,6 mil postos de combustível.

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), mais de 80% do setor de GLP do país é dominado por quatro empresas: Ultragaz, Liquigás, Supergasbras e Nacional Gás. Essas companhias mantêm suas fatias no mercado praticamente estáveis nos últimos anos, todas ao redor dos 20%. A Copagaz, que entrou na disputa pela aquisição, aparece um pouco mais abaixo, com participação de 8%. A possibilidade de que o negócio intensifique ainda mais a concentração do mercado preocupa agentes do setor.

O presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de GLP, Alexandre Borjalli, protocolou no Ministério Público Federal do Rio de Janeiro um pedido de instauração de inquérito para apurar irregularidades envolvendo o processo de venda da Liquigás. Segundo Borjalli, é grande o risco de que a concentração ainda maior de um setor classificado por ele próprio de “oligopolista” prejudique os consumidores. “A Liquigás é balizadora de mercado. Sou contra a venda dela, pois há um verdadeiro risco de monopólio”, disse o dirigente.

Também preocupam Borjalli as informações, veiculadas na imprensa, de que o preço de venda da Liquigás ficaria ao redor dos R$ 2,5 bilhões, montante que ele considera “muito baixo”. “Isso não paga nem sequer os vasilhames que a empresa tem”, disse ele, referindo-­se aos botijões de gás. O dirigente avalia que, se é para vender a empresa, o ideal seria que fosse para alguém que não está no mercado brasileiro, direta ou indiretamente, de forma a aumentar a concorrência e beneficiar o consumidor. “O governo não discute o assunto. Estamos à deriva”, completou.

Procuradas, nenhuma das empresas que apresentaram propostas aceitaram comentar as negociações. O Grupo Ultra informou apenas que “analisa continuamente oportunidades em todos os seus segmentos de atuação”. Por meio de sua assessoria, a Copagaz disse que não iria se manifestar, mesma postura revelada pela Nacional Gás. Já a Liquigás informou que está impossibilitada de fazer comentários, “uma vez que a decisão sobre eventual desinvestimento compete única e exclusivamente à sua acionista”, a Petrobras.

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