Temer, o vice do PT que virou representante dos coxinhas.

Falar que o eleitor petista também elegeu Temer é de um sofisma impressionante. Beira o sarcasmo.
 
Escutar este tipo de argumentação me faz necessariamente imaginar uma das hipótese abaixo:
 
1) O defensor da opinião desconhece completamente o caráter personalíssimo das candidaturas majoritárias.
 
Para a justiça eleitoral (jurisprudência pacífica e dominante), o eleitor que vota em candidatos a prefeitos, governadores, presidentes e senadores da República vota na pessoa do candidato, não no partido ou na coligação, tanto é que neste caso o MANDATO NÃO PERTENCE AO PARTIDO E SIM AO ELEITO, que, caso decida trocar de legenda, não corre o risco de perder o mandato, como se dá com deputados e vereadores.
 
A consequência prática desse entendimento é que o eleitor que votou em Dilma, quis votar e votou na pessoa física dela, não no seu partido e menos ainda no seu vice de chapa.
 
Pensar diferente seria admitir que o eleitor é tão responsável pela eleição do senador quanto dos seus suplentes, verdadeiros vices, que, ao assumirem o mandato em caso de vacância do titular, provocam verdadeiro debate sobre a legitimidade daquele parlamentar-tampão.
2) O autor da pérola usa este artificio para esconder a defesa pública de medidas que ele, antipetista, queria ver vencedoras nas eleições de 2014.
 
É indiscutível que o viés antiprogressista e o rigor fiscalista das ações do atual governo são a cara e a careta do espectro mais conservador e liberal da nossa direita.
 
Todas as medidas, projetos de lei, emendas à constituição, suspensão de programas e mudanças de rotas são acenos para agradar o eleitor que votou e sempre votará no PSDB e sua camarilha eleitoral.
 
Se tem vergonha da agenda que defende, não transfira responsabilidade.
 
3) Faz pouco caso da inteligência alheia, ao omitir que o eleitor petista foi vitima de uma emboscada parlamentar, capitaneada por um traíra.
 
Em 2006, 2010 e mais ainda em 2014 Michel Temer defendeu os feitos sócio-econômicos do lulopetismo, provocou dissensões dentro do seu próprio partido, o PMDB, com o intuito de aprofundar a aliança com Dilma e caiu em campo pedindo ao povo brasileiro que fossem mantidos os rumos que o país vinha seguindo desde a primeira eleição petista, em 2002.
 
Tanto pedido de confiança ao eleitor petista não foi correspondido com lealdade e a manutenção dos programas até então tido como virtuosos se tornou um mero capricho, dado que, ao primeiro sinal de ataque às instituições democráticas, o vice traidor tratou logo de se aliar aos eternos inimigos do lulopetismo, engendrou um processo de impeachment com seu companheiro de partido Eduardo Cunha, ligou o modo ‘foda-se’ para quem queria ver Dilma governando, tratou de cabalar o máximo de votos possível num Congresso ávido por vingança ao estilo durão da Presidenta e garantir o apunhalamento politico da companheira de chapa.
 
Não foi nesse tipo de politico que 54 milhões de votos depositaram suas esperanças.
 
Não foram nestas medidas que o eleitor dilmista acreditou.
 
Não foi pra desfazer tudo o que o lulopetismo construiu que o Brasil derrotou quatro vezes seguidas as propostas da direita.
 
Não foi este governo que o povo quis.
 
Só quem quis e quer é quem não tem votos, quem acredita que liderar é uma questão de poder, não de convencer.
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