Terceirização: um barato que vai sair muito caro para a sociedade.

Junte uma federação trincada, com Estados falidos e municípios completamente quebrados.

Depois eleja como os grandes vilões do desequilíbrio fiscal a explosiva combinação de receitas em queda livre, aposentadorias sem controle e folhas salariais em alta  constante.

Para as receitas, a solução passa pela venda do que resta de patrimônio estatal (privatizações), pegar algum crédito na praça (com consequente aumento na conta de juros do ente) e paciência por um crescimento econômico que traga algum aumento real de arrecadação (nada antes do fim de 2018)

O ajuste das contas previdenciárias exigirá uma combinação de a) maior restrição para concessão de benefícios, seja postergando/desincentivando o acesso; b) redução do valor das pensões e c)
reestruturação do controle e fiscalização dos sistemas de previdência.

Quanto às folhas salariais dos servidores, a contenção destas despesas só é possível com a) a demissão dos funcionários públicos (algo bastante improvável, dada a estabilidade), b) diminuição de salários via redução proporcional da jornada (proposta cuja juridicidade está nas mãos do STF) e, tchanram, a terceirização da folha, algo que não estava no radar dos gestores e que tem tudo para vingar como saída número um dos políticos de plantão.

Demitiu?

Põe um terceirizado que ganhe metade no lugar.

O órgão aposentou muita gente?

Repõe com um terceirizado ganhando 1/3 do que ganhava o estatutário.

Foi criado uma nova autarquia?

Loteia com empresas terceirizadas.

Além de reduzir a folha salarial e ganhar agilidade na gestão dos recursos humanos daquele ente público, o projeto de terceirização tem uma outra grande vantagem que salta aos olhos dos prefeitos e governadores: a possibilidade de a administração pública romper um contrato temporário sem muitas neuras faz com que aquele funcionário pense 10x antes de tentar organizar um movimento de greve.

Uma mão-de-obra barata, submissa, sob controle e garantida por dezenas de contratos de prestação de serviços potencialmente geradores de propinas é o sonho de consumo de 9 em cada 10 chefes de governo.

E um pesadelo para a sociedade.

Eis o grande legado que o Presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM) e seus companheiros de Congresso nos relegaram ontem à noite.

http://www.valor.com.br/politica/4910684/camara-aprova-terceirizacao-irrestrita-e-muda-legislacao-para-temporarios

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