Um muro, um golpe, uma luta que dura (rá) décadas

DO  FACEBOOK DE TOM ALTMAN

 TRISTEZA, A FARSA E A LUTA.

Ontem foi provavelmente o dia mais triste de toda minha vida.

Estive em Brasília para acompanhar a votação do processo de impeachment da presidenta Dilma e pude ver de perto a mais pura versão da luta de classe e da desigualdade nesse país. Trabalhadores e trabalhadoras, após 4 dias de viagem, arrasados com o golpe que a democracia e a soberania do voto estavam sofrendo. Pessoas que são do povo, que vivem com pouco ou quase nada, desolados, enquanto apenas separados por um muro, os patrões comemoravam, gritavam e aplaudiam a cada voto de bolsonaro, cunha e defensores da ditadura. Assisti em um único dia a reprodução de toda uma vida. Um muro separando pobres de ricos, patrões de empregados, privilegiados de desajudados. Uns com uma estrutura de copa do mundo, outros sentados ao chão. Era possível ver no rosto de cada um a tristeza e o medo dos patrões voltarem ao poder, de perderem os poucos direitos que tinham, da injustiça social ser ampliada.

Assistimos ontem a maior farsa jurídica e política de todos os tempos em nosso país. 99% dos votos ”sim” sequer lembraram do processo, mas invocaram Deus, os filhos, as tias, as mulheres, os maridos e os interesses dos estados que representam, nada mais sintomático: Estavam nos avisando para quem eles governam, por quem e do que são capazes em defesa do interesse próprio. Corruptos, destruindo a democracia em nome do combate a corrupção. O machismo e o preconceito de classe saltando aos olhos. Cada mulher que subia ao microfone era desrespeitada e tratada como um ser humano de menor valor, aos olhos complacentes do presidente da casa, esse sim, um ser humano de valor nenhum.

Não podemos deixar também de reconhecer nossos graves erros. O governo Dilma foi um desastre desde o seu primeiro dia, contemplando com a direita que sempre quis nos derrubar. Não é possível que não enxergamos que eles jamais aceitariam uma mulher, do partido que melhor representa a classe trabalhadora desse país, como a chefe maior do país. Colocamos o inimigo para dentro de casa, servimos-lhe café e abrigo. Espero que a esquerda tenha aprendido que os representantes das classes dominantes jamais estarão do mesmo lado que o povo.

Também jamais me esquecerei do fiel escudeiro do povo brasileiro que foi o PCdoB, aguerrido, combatente do lado certo na luta. Claro que não poderemos deixar de lado a postura exemplar do PSOL e seus principais líderes. Mesmo com tantas divergências, acusaram o golpe a cada voto, a cada manifestação. Espero que um dia possamos montar junto com esses partidos uma frente de esquerda forte, unida e programática.

Por fim, a LUTA. Estamos profundamente angustiados com a derrota na batalha de ontem. Mas não podemos nos deixar abater. A luta vai continuar, vai se ampliar e vai tomar conta da sociedade. Vamos ocupar as ruas em defesa da democracia. Agora lutaremos pela batalha no senado, em caso de derrota para o conservadorismo parlamentar vamos lutar pelo fora Temer e pelo fora Cunha. Mais uma vez lutarmos pela Diretas. Não vamos parar nunca.

NÃO PASSARÃO!

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