Volume de crédito sobe 1% apesar da crise, mas recua para 51,9% do PIB

O crédito total do sistema financeiro, incluindo operações com recursos livres e direcionados, atingiu R$3.130 bilhões em junho, com redução de 0,5% no mês e elevação de 1% em doze meses. O saldo de operações com pessoas físicas totalizou R$1.531 bilhões (+0,3% no mês e +4,6% em doze meses). A carteira de pessoas jurídicas recuou 1,3% e 2,2% nos mesmos períodos, situando-se em R$1.600 bilhões. A relação crédito/PIB atingiu 51,9%, ante 53,4% em junho do ano anterior.

O crédito com recursos livres alcançou R$1.569 bilhões em junho (-0,7% no mês e -1,7% em doze meses). A carteira de pessoas físicas declinou para R$800 bilhões (-0,2% no mês e +1% em doze meses), destacando-se as reduções mensais em financiamentos de veículos e cheque especial. No segmento de pessoas jurídicas, o saldo atingiu R$770 bilhões (-1,2% no mês e 4,3% em doze meses), com retração mensal em adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC), repasses externos e capital de giro.

O crédito direcionado totalizou R$1.561 bilhões, variações de -0,4% no mês e +3,7% em doze meses. A carteira contratada pelas famílias somou R$731 bilhões (+0,7% no mês e +8,7% em doze meses), com expansões em crédito imobiliário (+0,7%) e rural (+1%). No crédito às empresas, saldo de R$830 bilhões, o recuo mensal de 1,4% foi influenciado pelo efeito do câmbio na carteira com recursos do BNDES (-2,1%).

Entre os setores de atividade econômica, as retrações mensais mais significativas ocorreram na indústria (-1,3%, saldo de R$790 bilhões) – setores de extrativismo e transformação, com saldos respectivos de R$41 bilhões (-6,7%) e R$436 bilhões (-1,7%) – e em transporte (-3%, saldo de R$155 bilhões). O crédito ao setor público, apesar do recuo mensal de 2,1% (R$254,3 bilhões), alcançou expansão de 10,3% em 12 meses, com relevância para o segmento administração pública, que cresceu 13,2%.

Consideradas as operações acima de R$1 mil, a região Norte apresentou crescimento de 0,4% em junho (R$117 bilhões). As demais regiões recuaram: 0,6% no Sudeste (R$1.682 bilhão); 0,4% no Sul (R$546 bilhões); 0,4% no Nordeste (R$399 bilhões); e 0,2% no Centro-Oeste (R$326 bilhões).

I.1 – Taxas de juros e inadimplência

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, incluindo as contratações com recursos livres e direcionados, atingiu 32,6% a.a. em junho, variações de -0,1 p.p no mês e +5,6 p.p. em doze meses. No crédito livre, a taxa permaneceu estável em 52,2% a.a. (estável no mês, +8,9 p.p. em doze meses), enquanto no crédito direcionado alcançou 11% a.a. (-0,1 p.p. no mês, +1,7 p.p. em doze meses).

Nas contratações das famílias, a taxa média recuou 0,2 p.p no mês e aumentou 6,5 p.p em doze meses, atingindo 41,8% a.a. No segmento livre, a taxa atingiu 71,4% a.a., redução de 0,3 p.p. (crédito pessoal: – 0,2 p.p; cartão rotativo: -0,6 p.p.), enquanto no direcionado alcançou 10,5% a.a., alta de 0,1 p.p. (imobiliário e rural, +0,1 p.p.).

O custo médio dos créditos às empresas atingiu 21,7% a.a., declinando 0,1 p.p. no mês e aumentando 2,5 p.p. em doze meses. No mês, a taxa média para as contratações com recursos livres não se alterou (30,3% a.a.), elevando-se 2,8 p.p em relação a junho do ano anterior. No crédito direcionado, recuou 0,2 p.p. no mês, para 11,7% a.a., com destaque para os financiamentos para investimentos com recursos do BNDES, -0,5 p.p.

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados atingiu 22,7 p.p., declínio de 0,1 p.p. no mês e aumento de 5 p.p. em doze meses. Nas operações com recursos livres situou-se em 39,7 p.p. (+0,1 p.p. no mês e +9,2 p.p. em doze meses) e, nos créditos direcionados, em 4,1 p.p. (-0,1 p.p. e +1,1 p.p., nas mesmas bases de comparação).

A taxa de inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, computados os atrasos superiores a noventa dias, situou-se em 3,5% em junho (-0,2 p.p. no mês e +0,6 p.p. em doze meses). No crédito às famílias, o indicador recuou 0,3 p.p, para 4% e, no segmento das empresas, declinou 0,2 p.p., para 3%. Nas operações com recursos livres e com recursos direcionados a taxa diminuiu 0,2 p.p, situando-se em 5,6% e 1,4%, respectivamente.


II – Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária somou R$236,5 bilhões em junho, após redução mensal de 0,8%, resultante das retrações de 2,5% nas reservas bancárias e 0,5% no papel-moeda emitido. Em doze meses, registrou crescimento de 1,4%.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, destacaram-se os ajustes nas operações com derivativos, contracionistas em R$22,7 bilhões, e as operações do Tesouro Nacional, expansionistas em R$14,9 bilhões.

O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) atingiu R$299,1 bilhões em junho, com recuo mensal de 1,2%, refletindo as quedas de 0,4% no papel-moeda em poder do público e de 2,2% nos depósitos à vista. Em doze meses, o M1 decresceu 1,7%.

O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, cresceu 0,3% em junho, atingindo R$2,3 trilhões. Esse resultado refletiu a elevação de 0,5% do saldo de títulos privados, que totalizou R$1,3 trilhão, após captações líquidas de R$3,2 bilhões em depósitos a prazo. O saldo dos depósitos de poupança registrou estabilidade na comparação com o mês anterior, somando R$640 bilhões, com resgates líquidos em seis meses consecutivos (R$3,7 bilhões em junho).

O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, somou R$5 trilhões, expansão de 0,5% no mês. O saldo das quotas de fundos de renda fixa avançou 0,8%, situando-se em R$2,5 trilhões. O M4, que compreende o M3 e os títulos públicos dos detentores não financeiros, apresentou elevações de 1% no mês e de 10,5% nos últimos doze meses, totalizando R$5,8 trilhões.

Compartilhe nossa pagina

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *